12.4.19

Resenha: Por Lugares Incríveis

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Violet Markey e Theodore Finch se conhecem de uma maneira muito inusitada na torre do sino da escola. Ambos subiram lá para se matar. Mas nenhum deles contava que salvaria a vida do outro. E como não é todo dia que salvamos e somos salvos, Finch e Violet juntam-se para fazer um trabalho de Geografia e passam a andar pelos lugares incríveis no estado de Indiana.

FICHA CATALOGRÁFICA

Título: Por Lugares Incríveis
Autor(a): Jennifer Niven
Título original: All the Bright Places
Tradutor(a): Alexandra Esteche
Editora: Seguinte
Ano: 2015
Número de páginas: 336
Edição:

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O livro é narrado em primeira pessoa, com alternância do narrador: ora estamos na cabeça de Finch, ora na de Violet. Essa alternância permite uma construção do personagem muito bem feita, com até mesmo características psicológicas (e por que não dizer psiquiátricas) muito detalhadas. O melhor é que isso é entregue aos poucos.
"Um ponto positivo da vida é que podemos ser alguém diferente para cada pessoa "(NIVEN, 2015 P. 36)

Como toda boa estudante de medicina que acabou de passar pela psiquiatria, consegui extrair algumas características clínicas dos personagens. Violet passou por um trauma psicológico muito grande ao perder a irmã mais velha, que significava tudo para si num acidente de carro. Ela parece estar deprimida, e quem sabe até mesmo sofrendo de stress pós-traumático. Deixou  de lado coisas que outrora lhe faziam bem para resumir a sua vida a contar os dias para ir embora. Já Finch "apaga" do nada e evita dormir quando está acordado. Está sempre acelerado, sempre tentando chamar a atenção de alguma forma, sempre vivendo por um fio. Oscila entre momentos de euforia e depressão, chegando a desaparecer. O livro leva muito a crer que ele tenha transtorno bipolar, embora eu consiga ver traços borderline neste personagem também. 

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Os dois acabam se encontrando em meio a confusão de suas mentes, em meio ao caos em que vivem. E acabam sendo o remédio um do outro. É claro que pessoa nenhuma deva ser terapia de outra. Isso de forma alguma é um hábito saudável e podemos até falar que esse tipo de situação acaba romantizando relacionamentos abusivos, doenças psiquiátricas e até mesmo retardando o tratamento que deveriam receber. Apesar dos pais de Violet serem super atenciosos e preocupados, a sua única terapia parecia ser a da orientadora da escola, que fala que ela deveria "seguir em frente". E a de Finch também era um outro orientador da escola, totalmente manipulado por ele. 

" Você tem que viver sem arrependimentos. É mais fácil fazer a coisa certa desde o início para que não tenha que pedir desculpas depois. " (NIVEN,  2015 P. 113)

Finch acaba ajudando Violet superar os seus medos e saem de carro, percorrendo lugares interessantes no Indiana, a fim de fazerem o trabalho de Geografia. E é nessas pequenas viagens que eles se conhecem melhor e nasce uma paixão. Ela, a garota popular que acabou se distanciando de seus amigos e atividades devido a uma grande tragédia. E ele, a "Aberração", que tem apenas 3 amigos, sofre bullying e tem uma família completamente desestruturada que sequer sabe o que acontece com o garoto. 

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Com esse romance, os dois passam a se sentir melhor e a encarar a vida, seus medos e traumas. Mas o livro em momento algum mostra algum deles indo atrás de tratamento. Aliás, em um determinado momento um deles busca um grupo de apoio (e nessa passagem o livro aborda brevemente a bulimia). É o mais próximo de uma terapia que eles chegaram. 

Nesta resenha eu acabei fazendo esse viés mais voltado para o psicológico dos personagens porque no fundo foi o que mais me marcou. O enredo tem aquele clichê de "príncipe salva princesa". Mas apesar disso, fica nítido que a ajuda é mútua aqui. O mais chocante é chegar próximo ao final (no clímax, eu diria) e perceber que durante a leitura eu deixei passar alguns sinais. Então imagina como alguém que de fato estava vivendo a história os teria perdido também. 
"O que percebo agora é que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa" (NIVEN, 2015 P. 316)
Aliás, o clímax desse livro é muito bem marcado e de certa forma, ele se parece com um desfecho. A história podia ter terminado ali mesmo, mas achei interessante a forma como a autora conseguiu segurar a narrativa por mais alguma páginas para dar o fim necessário a cada personagem e aproveitar para discutir certas questões. 

Certamente, Por Lugares Incríveis foi uma leitura que me marcou muito. Passei o feriado de carnaval inteiro pensando em Violet e Finch, pois não tem como não se apaixonar por eles. E fiquei acordada até altas horas para ler "só mais um capítulo" e acabei terminando o livro inteiro. É mais um exemplo de como a literatura voltada para jovens adultos aborda temas sérios, falando a língua do adolescente e impondo o questionamento. E todo esse viés que adotei na resenha é só mais um dos muitos assuntos que poderiam ter sido abordados como: a responsabilidade familiar, violência doméstica, bullying, uso de álcool e cigarro por adolescentes, direção perigosa, o amor na adolescência... Certamente é um livro para ler e debater em seguida. Recomendo muito a leitura. 

Nota: 



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2 comentários:

  1. Que história interessante, e sua resenha me deixou ainda mais curiosa. Apesar de não ter formação nessa área eu gosto muito de observar o lado psicológico dos personagens, fica bem mais atraente!

    https://www.submersaempalavras.com/

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    Respostas
    1. Que bom que você gostou! Também acho uma delícia analisar os personagens dessa forma!
      Beijos!

      Excluir

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Ilustração por Wokumy • Layout por