21.9.18

Resenha: A Garota no Trem


E no meio de uma ressaca literária violenta, fui fisgada por um livro que me sequestrou por alguns dias. A Garota no Trem, da Paula Hawkins tem o poder de deixar até o mais cético leitor curioso. E você vai querer descobrir o fim da história.

FICHA CATALOGRÁFICA

Título: A Garota no Trem
Título original: The Girl on The Train
Autora: Paula Hawkins
Tradutora: Simone Campos
Editora: Record
Ano: 2017
Edição: 23ª
Número de Páginas: 378
Formato: Paperback
ISBN: 978-85-01-10465-6
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A Rachel é uma mulher triste, amargurada e alcoólatra que todos os dias pega o trem de Ashbury, onde mora de favor com uma colega da faculdade até Londres, onde trabalha.  De dentro do trem, ela observa as casas de uma cidade que fica no caminho. E um casal em particular a fascina, a quem ela nomeia de Jess e Jason.

Também somos apresentados à Megan. Uma mulher bonita, mas que anda desanimada com a vida que leva. Megan é a mulher que fascina Rachel. Só que um dia ela desaparece. E aquela desconhecida do trem vai tentar ajudar a  desvendar esse mistério.

O interessante é que durante a leitura nós ficamos sabendo muito pouco sobre quem é a Rachel para os outros (sua aparência física, o que faz da vida, quem são seus pais, de onde ela veio), mas temos uma descrição psicológica riquíssima dessa personagem. Em boa parte de A Garota no Trem estamos dentro da cabeça dela, confusos com seus pensamentos, sentindo pena, raiva, admiração e torcendo para o seu sucesso. Creio que essa discrepância entre apresentações dos lados da personagem sejam por um único motivo: Ao ser abandonada por Tom, e ao se tornar alcoólatra, tudo isso deixou de importar para a Rachel. Agora ela é quem ela é, e por não ter mais nada a perder, pouco se importa com o que pensam dela.

Megan também é cheia de defeitos, e ao longo dos capítulos percebemos o quão humana é esta personagem. Torcemos para que ela consiga a sonhada felicidade e recriminamos sua burrice. Aliás, todos os personagens são humanos. Ninguém nesse livro é 100% bom ou ruim.

Pouco a pouco o livro vai entregando as histórias de Rachel e Megan, e como elas podem se cruzar. Rachel tem a narrativa linear, no momento em que se passa o livro. As histórias de Megan e Rachel se cruzam de uma forma diferente. Elas não chegam a se encontrar, mas ao mesmo tempo as vidas eram tão próximas...

O mistério vai tendo sua solução entregue aos poucos. Eu o desvendei antes da revelação oficial, mas talvez tenha sido essa a intenção da autora. Recomendo ir catando as migalhas que ela joga.

Eu nunca li um livro com personagens alcoólatras e tendo a considerar esse assunto tabu. Mas gostei de estar dentro da cabeça de quem sofre dessa doença e perceber o quão maniqueísta esse indivíduo pode ser. É uma luta constante entre ficar sóbria e colocar a vida nos eixos ou se render ao momentâneo prazer de um trago de vinho barato. O vício deixa a nossa personagem no fundo do poço, sozinha com suas mentiras e sem dinheiro. Talvez o trem que a protagonista tanto ama seja uma metáfora a ela mesma tentando pegar velocidade, engrenar sua vida, colocá-la nos trilhos, quando na verdade tudo o que ela consegue é parar em algumas estações após ter um mínimo de progresso.

Gostei muito por ser um livro que tem mistérios, suspense, ação e consegue ser mais profundo que isso ao abordar o alcoolismo, relacionamentos abusivos e infidelidade. A maior lição que eles nos deixa é: "ninguém é o que parece. "

Nota:




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Ilustração por Wokumy • Layout por