6.7.18

Crônica de uma Morte Anunciada - Resenha

Eu gosto de um livro tenso... Vocês já devem ter percebido. Livros que aguçam o senso crítico, que me fazem pensar por dias e dias após a leitura. Cônica de uma morte anunciada é um desses. 

O livro já começa com o "anúncio da morte". Já sabemos quem morrerá. O livro tem uma escrita simples, porém genial. É para pensar que o autor merece mesmo ganhar Nobel. 

FICHA CATALOGRÁFICA
Título: Crônica de uma Morte Anunciada 
Autor(a): Gabriel Garcia Márquez
Título original: Crónica de una Muerte Anunciada
Tradutor(a): Remy Gorga Filho
Editora: Edtora Record
Ano: 1981
Número de páginas: 177
Edição:
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Aviso de gatilhos: O livro contém cenas explícitas de violência e menção a abuso sexual

Foi a minha primeira obra do Gabo. E que narrativa, meus amigos!! O autor entrelaça fatos um a um, personagens e situações. Parece que está tecendo. De início não sabemos o porquê de tantas histórias paralelas, de tantos diálogos. Mas tal como uma tapeçaria, depois de finalizado vemos que os desenhos levam a uma obra mais ampla, complexa. 

De início conhecemos Santiago Nasar, um homem rico, poderoso, que levanta certo dia marcado para morrer. Estava na ressaca de um casamento que aconteceu na cidade, a festa do ano.Nesse dia, todos sabem que ele irá morrer. Enquanto ele só quer ver o Bispo que chegará no navio. 

E vamos conhecendo a personalidade desse homem, descendente de árabes. A empregada relata que é uma grande porcaria igual era o seu pai. Estúpido, arrogante, pedófilo. 

Mas afinal, qual a causa de sua morte? Por que esse homem tão poderoso e tão conhecido acorda marcado para morrer?

A história pula para Bayardo San Roman. Rico, sem passado, forasteiro. Apaixona-se pela moça pobre Ângela Vicário. Também é do tipo que acredita que o dinheiro compra tudo. E Ângela é uma moça criada para se casar. Tem dois irmãos, os gêmeos Pedro e Pablo Vicário. 

O narrador participa da história, embora mais observe do que tudo. Não sabemos seu nome, mas conhecemos a sua família. E aos poucos percebemos sua relação com as histórias narradas. 

O livro não demora para entregar os assassinos. E fatos revelados nas primeiras páginas são melhor desenvolvidos no decorrer da narrativa. Isso que achei genial. Como os fios da história aparecem, e somem, e se cruzam para fazer sentido. Como cada palavra, cada frase tem as sua importância. 

De frase em frase vamos entendendo a motivação. O que fez Santiago, como que descobriram seu feito, o porquê do crime. Tudo isso pela voz de diversas testemunhas. 

É um livro que fala sobre machismo, violência, poder e crime motivado pela honra. E apesar de ser uma história simples, muito simples, a narrativa a torna genial. 

O livro é curto e engana-se quem pensa que ele tem uma leitura difícil. É super fluido. E todo o enredo se passa um dia, desconsiderando os flashbacks. Mesmo que não haja um suspense para sabermos os detalhes da morte de Santiago, o livro nos deixa sedentos por mais detalhes. E acho que minha curiosidade foi mais para como o livro iria terminar, como ele amarraria os últimos fios da narrativa. 

Senti uma pegada meio faroeste: Vila pequena, todos se conhecem, chega um forasteiro poderoso, temos um homem marcado para morrer. Mas tudo isso com o calor do sangue latino, com o cheiro do Caribe que banha a Colômbia. 

Deixo avisado que o livro contém cenas de violência explícita, o que pode desencadear alguns gatilhos. 

Nota: 


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Ilustração por Wokumy • Layout por