25.5.18

Resenha: A Missão


Após uma virose rapidamente dizimar grande parte da população mundial, decide-se criar um país no meio da Floresta Amazônica para manter a espécie humana viva. O país se chamará Tazur e representantes de todos os países foram selecionados para povoá-lo.


FICHA CATALOGRÁFICA

Título:  A Missão
Autor (a): Stefani P. Paludo
Editora: Hope
Ano: 2018
Número de páginas: 298
Edição:Estilo: Distopia/ação
E-book cedido em parceria com a autora
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Após alguns anos o caos está formado: ditadores vivendo no luxo, ricos e classe média alienados e os pobres vivendo em meio à sujeira, miséria e violência.

Frente à isso, um grupo de personagens resolve fazer uma revolução.Ou melhor, um golpe. Mas golpe fica feio, então vamos chamar de Missão. 

Os fundadores são os militares Thomas e Julio, guardas de confiança de dois dos 3 governantes e o jornalista Andrew. Eles estão cheios de ideias e nessa época o sargento Julio conhece a soldada Liss, a nova guarda pessoal de Margareth, a mesma governante para quem ele trabalha. Ela parece uma excelente membra para A Missão, mas será que aceitará arriscar a sua vida pelo país?

Vou comparar esse livro com aquele aluno que só tira 10, mas em uma prova tirou 8. Foi o que senti dele. Tem um enredo sensacional. Muito bem costurado, muito elaborado, pensado e estudado. E isso faz com que a gente queira que ele seja perfeito. Mas alguns aspectos deixaram a desejar.

O primeiro deles é que o fato de Tazur se passar na Amazônia foi pouco abordado. Não que eu quisesse uma super ambientação da floresta e tudo o mais, mas pelo menos características do clima e da região. Porque durante a leitura a gente esquece. E é tão raro um livro com essa temática que se passe em nosso país...

O segundo foi a revisão: Houveram erros de concordância, de sintaxe e até de ortografia. Mas nenhum deles chegou a arder meus olhos e me fazer querer largar a leitura. Claro, a ortografia é muito importante e eu sempre bato nessa tecla aqui no CV, mas o principal é a experiência e a narrativa como um todo. Fica apenas a sugestão para melhorar ainda mais essa maravilha.

O terceiro ponto foi a cronologia. Apesar de no enredo principal não haver muitas pontas soltas, senti falta de algumas explicações sobre os fatos apresentados no prólogo: O que aconteceu com Mariana? Onde ela foi parar? e Fábio? Quanto tempo se passou desde que Tazur foi fundada até o acontecimento do enredo principal? Como eles definiram o idioma? Não precisariam de muito mais páginas para resolverem pequenas questões como essas e amadurecer um pouco mais a escrita.

Apesar daquelas três objeções, o livro continua sendo muito bom, e absolutamente diferente do que venho lendo, ou do que os autores nacionais andam escrevendo. Cada página é um tapa na cara que me fez pensar se eu estava em Tazur. O final achei um pouquinho simplista e até mesmo fácil. Mas é porque eu queria banho de sangue e cabeças rolando mesmo. Está totalmente adequado com o contexto.

O livro discute questões políticas e sociais sem ofender ninguém. O desejo por um país mais justo e igualitário nos faz pensar no que queremos para o próprio Brasil. Além de tudo, ele é próximo. Há muitos diálogos. A narrativa baseia-se principalmente neles. Isso torna leve e rápido. A forma de falar dos personagens é única para cada um deles e eu era capaz de até mesmo ouvir a voz.

O que eu mais gostei nesse livro é que os personagens são humanos. Cheios de desvios de caráter. Corrompem-se, fazem o que negavam, são contraditórios. Não tem um que seja bonzinho. Nem um que seja malvado, o vilão a ser derrotado. A Margareth é péssima. Odiei ela. Mas não chamaria de vilã. Ela é parte de um sistema que por si só toma o papel de grande inimigo.

O livro também tem a maravilhosa capacidade de manter o foco. Não tem muita historinha paralela. Basicamente decide-se dar um golpe, ele vai sendo arquitetado e depois ele vai sendo posto em prática. Simples assim. Nada de núcleos paralelos, de histórias e enredos secundáios. Também não perde o foco com os irritantes "ships". Não tem casalzinho, nada de amor. Só luta, ação, lealdade. E isso é sensacional numa época em que os fandoms pegam enredos cheios de aspectos a serem discutidos e resumem a narrativa inteira em um casal.

É um daqueles livros que não dá para parar de ler. E vou descontar 1 aviãozinho da nota porque apesar de muito bom eu esperava mais. Como o professor do aluno que tirou 8 mas só tirava 10.




Um comentário:

  1. Nossa, adorei! Já tava bem interessada desde quando vi a foto no insta, e depois da resenha fiquei bem mais curiosa. Mesmo com os problemas que você apontou! Eu to bem à procura de diversidade na literatura, principalmente por causa das pessoas com quem ando interagindo nas redes sociais. Propostas diferentes têm me interessado muito nos últimos tempos!

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Ilustração por Wokumy • Layout por