24.11.17

Menina Má - William March

Rhoda é uma garotinha encantadora. Muito independente e organizada, não dá trabalho algum à sua mãe Christine. Ela é o grande xodó dos mais velhos, com sua covinha na bochecha, as trancinhas perfeitamente arrumadas e o vestidinho meio retrô. 

Ficha Catalográfica:
Título: Menina Má 
Título original: The Bad Seed
Autor: William March 
Tradução: Simone Campos
Escrito em: 1954
Ano da edição: 2015
Editora: DarkSide Books
Gênero: Suspense
Número de páginas: 272
ISBN: 978-85-66636-81-9

Porém Rhoda é o grande terror das crianças com quem estuda. No começo não fica bem claro o porquê, mas ela não se dá com nenhum colega de classe. Extremamente competitiva e determinada, fica muito chateada ao perder um concurso de caligrafia na escola e passa a infernizar a vida do ganhador. 


A menina vai para um passeio da escola, no qual o garoto vencedor do concurso de caligrafia se afoga misteriosamente. 

O livro retrata o processo de negação de Christine em relação à filha. A mãe fica dividida entre a desconfiança que possui quanto ao caráter da menina e o instinto maternal de proteção. Para essa personagem, mais complexa e profunda que a própria Rhoda, é doloroso descobrir que a criança pode sim ser uma psicopata. E isso não se deve à falta de caráter da mãe, que é extremamente honesta, gentil e cordial. 

A garota é fria e manipuladora. Não mede esforços para alcançar seus objetivos. E é muito mimada e acobertada pela vizinha, a sra. Breedlove, que tem uma mente um tanto perturbada também. O único que não se deixa enganar é o zelador Leroy, que alimenta uma fixação pela menina e até mesmo chega a suspeitar da sua condição de assassina do colega. Leroy é invejoso e inescrupuloso, talvez por isso não se deixe enganar pela falsa fofura da garotinha. 

Para quem espera um livro de terror, prepare-se para quebrar essa expectativa. O livro é muito mais um suspense, com um teor mais psicológico, visto que acompanhamos de nperto as mudanças de personalidade de Christine, a psicopatia de Rhoda, a fixação sexual de Monica Breedlove e até mesmo as perseguições doentias de Leroy. 

E a narrativa traz uma discussão: seria o mal uma semente capaz de brotar na mais meiga criatura? Seria o mal uma condição genética? Ou ele é fruto do ambiente? 

Guardem esse questionamento caso leiam o livro. Ele é muito importante para os capítulos finais. 
Só queria dizer que o dilema que Christine precisa enfrentar sozinha é desesperador. E o final surpreende. 

A história é complexa, mas tem uma narrativa de fácil leitura, bastante fluida. Christine é a personagem mais "redonda" da narrativa, visto que passa por sérias mudanças, transitando da extrema honestidade à conivência. Ela também sofre com o peso da culpa e com a obrigação maternal de proteger a filha independente da situação.  Até mesmo Rhoda muda um pouco, quando se vê obrigada a confessar e a se submeter à mãe. Há muitas reflexões a serem feitas a respeito dos outros personagens, claramente perturbados psicologicamente. 

Mas é do Leroy que tenho mais raiva, por sua perversão. Ele o tempo todo objetifica Christine e há indícios que tenha tendências pedófilas. Mais um para a lista de personagens que amamos odiar. 

O livro conversa muito com a psicanálise Froidiana (inclusive uma das personagens já tinha se consultado com Froid), uma das fixações do autor William March, além da caligrafia. 

Essa edição da Dark Side possui capa dura, marcador em fita, um texto de apoio na introdução maravilhoso para compreender o autor e a obra, além do belíssimo trabalho gráfico, com ilustrações, folhas de guarda pretas, páginas amareladas, fonte de tamanho e estilo confortável e um papel de gramatura mais alta e poroso, muio agradável ao toque. A capa tem acabamento soft touch e traz o título apenas na lombada. 

Foi uma leitura que me agradou muito e me surpreendeu positivamente. Eu esperava um terror mais sangrento e me deparei com uma narrativa extremamente reflexiva, que me deixou pensando sobre esse enredo por vários dias. Inclusive coloquei o filme na minha lista para assistir. Para quem se interessar, o nome em português é "A Tara Maldita". Sim, essa tradução é péssima. A tradução da Dark Side foi muito mais feliz. 
Nota:






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4 comentários:

  1. O trope de "criança do mal" é sempre muito interessante, por que questiona o nosso costume de associar o mal a um adulto. E gostei do fato de que existe um pano de fundo e aborda como a mãe tenta lidar com isso. Dá pra ver que você gostou bastante da história e me interessei bastante :)

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    1. Que bom que se interessou! Sim, acho que o melhor desse livro é o pano de fundo e o embasamento até mesmo em teorias freudianas. Não dá para negar que amei, não é mesmo?
      Seja bem vinda a bordo!!

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  2. Já ouvi falar nesse livro, mas nao sabia que era tão antigo. Preciso ler
    A Darkside arrasa nas edições
    Bjos flooor

    www.cariocadointerior.com.br

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    Respostas
    1. Também me impressionei com a idade do livro. A Darkside fez tanto marketing quando publicou que pensei que fosse um lançamento. Ela arrasa mesmoo!!
      Beijos, seja bem vinda a bordo!

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Ilustração por Wokumy • Layout por