11.8.17

Quilômetro cinza e outros contos de cabeça



Como o título já diz, trata-se de um livro de contos. Ao todo são dezesseis e todos eles possuem um elemento em comum: a cabeça. Seja no sentido literal ou figurado.

As temáticas variam bastante, mas pude perceber o gosto do autor pelo escatológico, para os temas violentos e sanguinários. Aliás, quase todos os contos abordam formas de violência, como física e psicológica. Isso quando não engloba os dois. 
Título: Quilômetro cinza e outros contos de cabeça
Autor: Rob Camilotti
Editora: publicação independente/Amazon
Número de páginas: 106
Formato: e-book Kindle
PDF recebido em parceria com o autor
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Os contos são de leitura rápida, perfeitos para serem apreciados no ônibus. O livro em si é curto. Pelas temáticas, achei que alguns deles mereciam ser melhor explorados. 

Alguns contos apresentam uma temática mais complexa e pela opção do autor em escrevê-los em poucas páginas eles acabaram ficando mal finalizados. Falta a amarração entre o final do conto e o seu enredo geral. São apenas 5 contos mais longos, e não haveria problema algum expandi-los para o bem de uma boa narrativa. 

A linguagem é acessível e agradável. Na verdade, Rob Camilotti tem um ritmo de escrita bastante agradável. As palavras fluem e você nem percebe as 203 páginas. 

Um conto que me emocionou bastante foi "Cartas de um pai ao filho, cartas do filho ao pai", que relata o drama e as incertezas do povo sírio em seu êxodo para a Europa em busca de paz. 
O conto "O Arquipélago dos Morangos" achei um pouco nonsense, com reviravoltas e ares de pesadelos. Esse era um que poderia ser expandido para desenrolar melhor a história ( e não precisaria perder o nonsense, pois creio que havia essa intenção). 

Há um conto que gostei muito até chegar no final. Falava de uma conspiração política e golpe de Estado em algum país fictício, que lembrou-me muito o período da Ditadura Militar Brasileira e a sua opressão aos opositores. O  adendo para esse conto é a voz narrativa, que para o desfecho escolhido teria sido mais plausível se fosse narrado em terceira pessoa, com narrador onisciente. Eu não posso explicar o porquê para não dar spoiler. 

O conto "Sacha e Peter" começa fofinho, mas depois chega a ser perturbador. Esse conto acho que teve tamanho suficiente e foi bem abordado a relação doentia entre os personagens. 

Percebi em alguns contos a apresentação de situações e elementos que acabavam tomando espaço em uma narrativa tão curta e que não eram no geral bem explorados, ou seja, não havia necessariamente a necessidade daquele fato ou situação. 

Em certos contos aconteciam fatos bastante ligados ao nonsense e ao onirismo. Alguns, aliás pareciam saídos de um sonho. Ou pesadelo. 

Outros deram boas reviravoltas, como o "Uva Verde", que começou bastante tenso e depois nos deixa uma lição. 

Quanto à obra em geral, o saldo foi positivo. Apesar de ter apontado algumas ressalvas, gostaria que elas ficassem como uma sugestão para melhorar ainda mais o livro. Aconselho a leitura em filas, ônibus e em pequenos intervalos do dia, pois são fluidos, de fácil entendimento e ágeis. É o típico livro para ler "em uma sentada só". 
Nota: 






Um comentário:

  1. Oi, Lívia, com algum atraso, mas tô aqui, kkk.

    Deixando esse comentário p/ agradecer pelos conselhos e toques que me deu. Obrigado pela resenha e sucesso com seu blog.

    Abraço!

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Ilustração por Wokumy • Layout por