10.7.17

Manias estranhas que me levam a escolher um livro



Todo leitor que se preze tem suas "estranhices literárias". Eu não sou diferente. Acho que nesse assunto a minha maior estranheza é a forma como escolho livros. 

Eu sei que o editor teve todo um trabalho para escrever a sinopse. Puxa vida, resumir umas 600 páginas em algumas palavras sem dar revelações sobre o enredo não é tarefa fácil. Mas quem disse que ligo para isso? A sinopse é o que menos me leva a escolher um livro. 


A capa, tampouco me leva a escolher um livro. Ok, considero os esforços do capista, que passou dias na frente de um computador desenhando, adaptando, criando alguma coisa que se parecesse com a história. Porém não é sempre que ele me ganha. Tudo bem, muitas vezes eu cedo às belezas da arte gráfica e me apaixono por um livro à primeira vista ao reparar na paleta de cores, na escolha dos elementos. Mas se a capa for feia não deixarei de levar o livro. 

Também não é a edição. Tudo bem que é uma delícia ter livros em capa dura, com fita marcadora, páginas amareladas e cheio de ilustrações lindas. Mas se analisar minha estante são raros os exemplares assim. Uma super edição não é e nunca foi minha prioridade. Ultimamente tenho dado mais valor a isso, o blog me obriga a fazer fotos bonitas com livros fotogênicos, então algumas vezes me rendo aos prazeres de uma edição de luxo. 

O preço do livro, ao contrário de muitas coisas na minha vida, também não é fator determinante para os meus sonhos literários. Tudo bem que se ele estiver alto eu não compro. Mas não me impede de me apaixonar por um livro e de ficar horas namorando um exemplar na livraria ou pela internet. 

O que me faz desejar um livro é o seu título. Gosto de títulos pomposos, marcantes e na maioria das vezes até extensos. Muitas vezes eles são clássicos. Por exemplo, comprei Os Sofrimentos do Jovem Werther sem sequer saber seu assunto, ou a sua forma narrativa. Me interessei por O Retrato de Dorian Gray por causa de seu título, lindo, que ouvi num trecho qualquer de uma música do James Blunt. Quero ler Guerra dos Tronos por causa do volume chamado "O Festim dos Corvos". E quase desdenhei Harry Potter por achar bobo demais o nome do personagem. Na verdade demorei a me render. Precisei de convencimento. Sem nunca ter aberto um livro, sem nunca ter visto um filme taxei a série de "chata". Já disse que não gostava de Harry Potter simplesmente por não me interessar pelo nome do protagonista. Até que uma prima me convenceu a ir com ela no cinema ver Harry Potter e a Ordem da Fênix. E me apaixonei sem entender nada. Logo que me foi oferecida a série emprestada, peguei. E em uma semana terminei os quatro primeiros livros. Eu tinha treze anos, era julho. Agradeço imensamente a minha prima e a minha amiga que me emprestou os livros. Se tornou minha série favorita. 

Muitas vezes meu lado "poser" aflora e quero ler um livro porque tem um filme em cartaz. Ou quero ler o livro depois do filme. Eu não me importo em ler sabendo o que vai acontecer, assim como adoro ler sem ter noção da história. Sim, eu sou estranha. Esse texto é sobre estranhices literárias. 
Eu fui a pessoa que leu a última página da Bússola de Ouro para saber se a Lyra ia conseguir atingir seus objetivos. E não satisfeita com a resposta vaga que o spoiler me deu, ainda li as dez últimas páginas para ter certeza do que iria acontecer. 

Muitas vezes criar esse tipo de expectativa em cima de um título me leva a decepções. Por exemplo, teria grandes chances de ter gostado de Frankestein caso tivesse lido sobre o livro. Caso soubesse que era um monstro diferente, se soubesse que é muito mais uma análise psicológica que um livro de terror. Porém fui esperando o monstro canibal, o qual os filmes que eu nunca assisti me fizeram acreditar. E acreditei também que Frankestein era o nome da criatura e não de seu criador. Ledo engano. Odiei a obra. 

Também não esperava que o Tolkien fosse tão detalhista em cada mísera descrição em O Senhor dos Anéis. Parei e nunca mais li. Vi os filmes, amo a história. Porém me bate um certo "medo" de encarar novamente aquela escrita cheia de descrições. 

Em compensação, outros livros me surpreenderam. O caso aqui ressaltado é de O Corcunda de Notre Dame. Eu esperava uma leitura maçante que estava encarando somente pelo fascínio do título. Não lembrava sequer de ter visto a animação da Disney. E me apaixonei até pela descrição dos telhados de Paris. Foi uma história completamente diferente e incrivelmente mais complexa do que eu esperava, aliada com uma narrativa deliciosa de ser lida. Como eu amo o Victor Hugo. E pensar que abandonei Os Trabalhadores do Mar por conta de sua prolixidade. 

Outro fator que me leva a escolher um livro é o número de páginas. Quanto mais, melhor! Isso acontece desde criança, quando terminava minha atividade na escola mais cedo para ir ler na pseudobiblioteca da escola. Meu lema era ler cada vez livros maiores! Por um bom tempo me vangloriei da minha alta velocidade de leitura, mas hoje já não leio tão mais rápido assim. 
Também gosto de ler inspirada em recomendações e críticas. Muitas vezes o fato de alguém falar mal de um livro, principalmente em jornais e blogs, me desperta a curiosidade da leitura. Tudo para saber se vou odiar mesmo. É quase como se eu estivesse dando uma segunda chance ao pobre livro, que foi tão difamado publicamente. E não preciso nem dizer que uma resenha positiva me enche de vontade de ter aquele baby na estante. Se a recomendação vier de alguém que gosto e confio, aí o livro vai para a lista. Sim, uma lista física, no papel!

Já perdi as contas de quantas listas fiz e perdi. E claro que os livros que eu comprava muitas vezes eram a prioridade do momento e nem sempre a da lista. Mas dá um prazer ir riscando aquilo que já adquiriu... 

Eu já cheguei a pegar os clássicos de bolso da Martin Claret, olhar naquela lista enorme de obras publicadas e anotar cada título que me interessasse. Minha lista ficou enorme. É muito raro eu não me interessar por um livro. Mesmo a capa não sendo prioridade, como disse acima, até ela me faz querer ler. E mesmo que ela seja bem feiosa eu não desisto da leitura. Porque o que importa em um livro é o que ele tem a dizer. Mesmo que eu ceda aos estímulos visuais e passe a desejar incondicionalmente aquele livro com a capa maravilhosa em edição de luxo.

Agora me contem nos comentários quais as manias estranhas de leitor que vocês têm!

5 comentários:

  1. Acredito que cada um realmente tem seu estilo de leitura. Eu também não me interesso em nada por sinopses, mas sou aquela que se apaixona por capas e títulos. Não faço pré-julgamentos, mas são fatores que me fazem dar prioridades para um título ou outro.
    Projetos gráficos também me ganham muito, tenho uma prateleira só para edições de luxo! hahaha

    Beijos!
    www.jadeamorim.com.br

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    1. Caramba como você é chique!! Uma prateleira só para edições de luxo!Acho que qualquer critério de escolha não deixa de ser um pré-julgamento. Já me impressionei positivamente por livros que nunca me chamaram a atenção e negativamente por outros que achei que amaria. Mas respeito sua opinião.
      Muito obrigada por comentar. Seja bem vinda a bordo!!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Aaaa, adorei. Me sinto acolhida ao saber que tem mais gente que também foge das "regras" e não escolhe pela sinopse. Eu normalmente nem leio a sinopse antes de abrir um livro. Vou ou pela capa ou pelo título.

    Entre Cartas e Amores

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    1. Que fofaa! Então seja bem vinda a bordo que aqui você será sempre muito bem acolhida. Sinopse para que, não é mesmo?

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Ilustração por Wokumy • Layout por