23.6.17

Lendo em Inglês #2 - And Then There Were None



Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Tem sido um semestre complicado, e o Lendo em Inglês ficou um pouquinho para trás... Mas vamos correr atrás do prejuízo e tentar terminar ainda em 2017, ok?


O segundo tema do desafio era "Já leu a tradução". Eu escolhi And Then There Were None, da Agatha Christie, cujo título em português é " E não sobrou nenhum", conhecido até pouco tempo atrás como "O Caso dos Dez Negrinhos"


Ficha Técnica
Título: And Then There Were None
Autora: Agatha Christie
Editora: Harper Collins
Ano:2007
Primeira Publicação:1939
Número de Páginas:317
ISBN:9780007136834

O livro começa com vários personagens recebendo um misterioso convite para passar uns dias em uma casa em uma ilha na costa de Devon, a Ilha do Soldado. Cada um com um propósito. 

A casa era uma maravilha da arquitetura moderna (lembre-se que falamos de moderno em 1939), com eletricidade e tudo o mais. Junto com o casal de caseiro eram 10 pessoas. Em cada quarto, enquadrada a mesma canção infantil sobre 10 soldadinhos que gradativamente diminuíam de número em situações inusitadas até que não sobrava nenhum. 

Logo na primeira noite, durante o jantar, um misterioso gramofone começa a tocar. Aparentemente todas as 10 pessoas eram culpadas pela morte de alguém. E logo ocorre a primeira morte, muito similar à canção. 

O fato de eu conhecer a história não atrapalhou o mistério, visto que eu não me lembrava quem era o assassino. Lembrava apenas do gênero do assassino. E não o revelarei. 


O livro, diferentemente de outras obras da autora, tem um cunho mais psicológico, e o perfil de cada um dos personagens é desenhado conforme a história se desenrola e sobram menos pessoas na casa. Para quem conhece a história de Jogos Vorazes, mais ou menos isso. As pessoas vão morrendo e você sabe que o assassino está logo ali ao lado. A Agatha conseguiu passar muito bem o desespero dos personagens por suas palavras. 

A narrativa vai ficando centrada no Juiz Wargrave, dr Armstrong e Inspetor Blore, que acabam tomando o papel de detetives, pela experiência: O velho juíz usando sua habilidade nos tribunais em colher depoimentos, o inspetor como detetive e o médico como perito. Vera Claythorne e Phillip Lombard também se destacam. 

Junto a todos os personagens vemos potenciais culpados de crimes passados ou atuais. Eles colocam em suas falas seus preconceitos, pensamentos e tudo isso se torna ainda mais sincero devido a iminência da morte, e o fato de não se ter mais nada a perder. Em vão se inicia uma busca pelo suposto assassino, a desconfiança mútua e o pânico, cada um tentando a todo custo sobreviver. 

Eu não tive dificuldade com a linguagem. A autora é sagaz, mas tem uma escrita relativamente simples, embora as suas entrelinhas escondam muito até mesmo em nossa língua nativa. É claro que dificultou a solução do mistério ler em inglês, mas não prejudicou o andamento. De qualquer forma eu não teria descoberto o assassino antes, visto que como sempre a Agatha Christie me engana, independente da língua em que eu leia. 

Vale lembrar que antes a canção era sobre os 10 negrinhos e a ilha onde se passa a história mudou para Ilha do Soldado. Era assim quando li emprestado da biblioteca da escola, a long time ago in a galaxy far far awar. Foi mudado por questões óbvias de bom senso e para ser politicamente correto, mas nem assim surtiu efeito visto que mesmo com negrinhos, soldadinhos, menininhos, etc a canção continua sendo totalmente politicamente incorreta e bem inapropriada para fazer uma criança dormir (vai assustar a criança o soldado se partindo no meio, se engasgando, sendo atacado por ursos e abelhas...), mas nós da terra do Bicho Papão  em cima do telhado, boi da cara preta e da Cuca vem pegar não podemos apontar o dedo, não é mesmo? 

Aliás o livro todo tem um tom um pouco preconceituoso, mais para o lado do machismo (impressiona saber que foi escrito por uma mulher), com os personagens homens o tempo todo se perguntando se uma garota teria forças para cometer tal assassinato, ou que naquela outra causa mortis o crime poderia ter sido cometido por uma mulher pois não demanda força física... Isso me incomodou um pouco, e mesmo a autora já sendo um ponto fora da curva para sua época, não podemos esquecer que o livro foi publicado em 39, quando provavelmente não haviam muitas Ronda Rousey, Cristiane Cyborg, Sarah Menezes, Rafaela Silva... (Ok, enquanto dei um Google aqui em mulheres lutadoras procurando o nome da Rafaela Silva e mais alguns para colocar aqui pois só lembrava da Ronda, o primeiro resultado foi "as mulheres mais lindas do MMA". Acho que ainda estamos em 39...) Que bom que agora sabemos que uma garota pode muito bem derrubar um marmanjo.

Eu recomendo essa obra para quem tem um nível intermediário de inglês. Por ele ser "sugador de atenção", você pode demorar um pouquinho para "pegar no tranco" e logo o inglês será apenas um detalhe e a leitura irá fluir. 

Essa é uma edição econômica, em paperback e folhas de jornal, formato de bolso que eu encontro custando bem caro nas livrarias físicas por ser importado, mas que paguei 5 reais no sebo. Sim, fucem os sebos porque podemos encontrar livros novinhos super baratos por lá!
Nota:

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Ilustração por Wokumy • Layout por