19.5.17

Resenha: O Saotur


Hoje a resenha é de um livro de parceria. Uma fantasia das boas que farei questão de sair recomendando por aí. E sim, preciso começar falando que gostei muito porque quando uma obra é boa ela merece ser elogiada. 
O livro foi escrito pela Natalia Smirnova Moraes, que nasceu na União Soviética e veio para o Brasil. Foi artista circense e acabou se revelando uma verdadeira artista das palavras. A história da autora é tão interessante apenas nas poucas linhas de apresentação que eu com certeza leria uma biografia inteira dela. Afinal não é todo dia que uma pessoa como ela, que literalmente rodou o mundo se apresentando em circos e trabalhou em diversas profissões depois que sua carreira acabou, escreve um livro. Aliás, ela tem outras obras. 
Natalia (ou Natasha), minha sincera admiração e congratulações a você!

Título: O Saotur
Editora: Clube de Autores
Autora: Natalia Smirnova de Moraes
Edição: 1ª
Ano: 2016
Páginas: 324




Um forasteiro naufragado acorda em terras estranhas, sob os cuidados de uma bela e curiosa garota. Ele não sabe nada sobre aquele lugar onde se encontra, nem como foi salvo do terrível naufrágio. 
Constantin, nosso forasteiro, tem um passado de depravações e um sonho de tornar-se escritor. Ele recebe a chance de recomeçar naquelas terras estranhas e conta com a amizade de Lyhty, a verdadeira heroína aqui. Invertendo os papéis das histórias tradicionais, principalmente aquelas ambientadas em tempos passados, é a garota quem salva o donzelo em apuros. Lyhty é corajosa, determinada, inteligente e leal. Uma personagem realmente forte e que está sempre conduzindo Constantin por essas terras estranhas a ele. 

Constantin, por sua vez, é um homem feito apenas de passado. Ele não sabe onde está, o que será de seu futuro e está cheio de dúvidas. Fica fascinado com o novo mundo, com a nova amiga e envergonhado de seu passado de depravações à bordo de um navio pirata. E nosso protagonista não tem para onde voltar, o que é o ponto mais "facilitador" do enredo. Dessa forma, ele poderia ficar para sempre naquela terra desconhecida sem preocupações, sem família para reencontrar, sem vínculo com casa, terra, ou pessoas. E este "estar sozinho" desperta em Constantin uma vontade enorme de ficar naquelas terras estrangeiras, adequar-se aos seus costumes, enfim, criar raízes. 

Enquanto isso, no fundo do mar, criaturas meio humanas, meio peixes lutam por seu espaço naquele reino. São os Saotur, um povo que causa medo nos habitantes terrestres por serem seus predadores. Mas o genial é que a Natalia não os pintou como criaturas malvadas, cruéis e sanguinárias. Eles têm muita alma, personalidade e até mesmo passamos a torcer por eles em alguns momentos. 


Aliás o que essa autora mais sabe fazer é dividir a gente. Em muitos momentos não sabemos para quem torcer... E foi aí que ela atingiu o ponto que queria: Ela mostra que toda história tem dois lados. E faz questão de deixar isso bem claro várias vezes no decorrer da narrativa. 

O fluxo da história é muito agradável. Tudo corre muito bem, o texto é bem escrito, bem amarrado, tem plot twists, enfim, tudo o que a gente gosta. Não me lembro de ter encontrado nenhum erro ortográfico.  Os personagens têm humanidade, personalidades e alguns até mesmo alguma profundidade. 

O livro termina de uma forma inesperada, o que nos faz aguardar ansiosamente o lançamento do segundo volume da série e a continuação dessas aventuras. 

Caso queira saber mais sobre os Saotur, clique aqui, no site da autora tem toda a explicação de onde surgiu a ideia.

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Ilustração por Wokumy • Layout por