28.4.17

Resenha: Os 13 porquês


Hoje eu vim falar de um livro que está super em alta. Os 13 Porquês conta, sob o ponto de vista de Clay, os motivos que levaram Hanna Baker a cometer suicídio e é uma obra de leitura fundamental, principalmente para adolescente em processo de formação de caráter. 

Autor: Jay Asher
Editora: Ática
Edição: 1ª 
Ano: 2009
Formato: Ebook Lev
Páginas: 188


O livro começa com Clay Jensen indo ao correio, claramente perturbado, enviar uma caixa contendo 7 fitas que foi deixada em sua porta. 

Quando recebeu o tal pacote, Clay não sabia o que podia ter feito para ser culpado de tal ato. Mas ouvindo a fita pode compreender melhor o lado de Hanna. 
Não é uma leitura fácil. Com apenas 188 páginas (contando textos de apoio), o livro tem uma carga emocional muito grande, o que pode dificultar para algumas pessoas a leitura. Eu passei a sentir as emoções de Clay ao ouvir as fitas. 

Ao contrário do que falam, achei que o livro se tratava sobre o garoto que ouvia as fitas e sua reação, e não tanto sobre a Hanna que se suicidou. Com isso, eu senti falta de mais explicações sobre seu estado emocional, pois todas as fitas ela apenas narrava o que aconteceu. Creio que a história tivesse sido melhor explorada se contasse a visão de um narrador onisciente, e incluísse os sentimentos de Hanna em suas observações. Tudo bem que o formato da narrativa foi bastante inovador, mas por vezes eu fiquei confusa, ou perdia o fio da meada a cada interrupção do relato. 
As emoções mais abordadas foram as do ouvinte das fitas, e não as daquela que deveria ser a protagonista. 

O livro vai além do bullying. Ele trata sobre assédio, violência psicológica e até mesmo estupro. E deixou claro como pode ser difícil a busca por ajuda por alguém que está emocionalmente abalado e com pensamentos suicidas. 

Outro ponto que poderia também ser explorado era o tal folheto de prevenção contra o suicídio que os personagens dizem ter recebido. Apenas alguns pontos foram falados brevemente e eles poderiam ajudar os leitores a dar apoio àquele amigo que não está se sentindo bem ou até mesmo estimular pessoas que se encontram no estado da Hanna a buscar ajuda. 

Eu li pelo LEV, e não posso falar do tratamento editorial e da impressão, mas sei que alguns elementos da diagramação original foram mantidos, inclusive os símbolos de play e pause que apareciam quando o Clay pressionava esses botões no walkman. O mapa acabou ficando nas primeiras páginas e não era fácil voltar nele para acompanhar a história. 

Por favor, não sejam o porquê de alguém. Suas brincadeiras podem machucar uma pessoa que está sensibilizada, seus boatos podem tomar proporções inimagináveis. Jamais ridicularize alguém, respeite o espaço e busque tratar bem a todos. O velho "não faça com o outro o que não gostaria que fizessem com você" funciona bem.  E nessa história não é bom ser nem Hanna Baker nem um porquê. 

Queria terminar a resenha informando que suicídio não é frescura, e que não devemos duvidar de quem afirma ter vontade de se matar. Não se deixe levar pelo preconceituoso "quem quer se matar se mata e não fica falando por aí". Se alguém manifestar esse desejo para você tente ajudar como puder. Ofereça um ombro amigo para chorar, ouça, faça a pessoa perceber que a vida ainda vale a pena por mais difícil que ela seja. E principalmente estimule a busca por um profissional. Psicólogos e psiquiatras existem para isso. Se suspeitar de algum caso de suicídio iminente, procure o CAPS da sua cidade ou se não for possível, um posto de saúde e peça orientações. Mas jamais fique alheio à situação, de braços cruzados. Porque esperar até amanhã pode ser tarde demais. 

2 comentários:

  1. Resenha maravilhosa! Esse livro é fundamental e necessário, principalmente nos dias de hoje. Adorei a resenha! Beijos!

    www.cavaleiroagridoce.com.br

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    Respostas
    1. Que bom que gostou, Caio!! Também acho esse livro extremamente necessário!
      Bjs

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Ilustração por Wokumy • Layout por