1.2.17

Saudades do meu interior...

O pé de manga da faculdade que desencadeou tais emoções

Outro dia encontrei um pé de manga na minha faculdade. Um não, vários. Imediatamente fui transportada para um estado nostálgico.

Eu cresci no interior. Sou caipira, bicho do mato mesmo. Minha casa sempre teve um quintal enorme, cheinho de árvores frutíferas. Era caju, acerola, manga, coco, goiaba, seriguela, limão, mamão, maracujá, pequi... Quando crianças, eu e minha irmã passávamos o dia todo brincando no meio do mato, o quintal de casa. Era quase uma chácara em perímetro quase urbano.  Bons tempos aqueles nos quais a única preocupação era tomar banho antes da minha mãe chegar do trabalho.


Eu gostava disso. Adorava sentar no alpendre e olhar as estrelas, gostava de passar o dia abraçada nos meus cachorros, de subir em árvores (mesmo nunca conseguindo chegar até o topo pois morro de medo de altura), de comer caju direto do pé quando chegava a época das chuvas. Por falar em chuvas, como era bom tomar um banho de chuva, brincar na lama e depois ter que entrar em casa pela lavanderia e lavar os pés no tanque antes de ir para o chuveiro.

Contudo, eu também sentia falta de viver em uma cidade grande, do conforto que esta oferece. Gosto da movimentação, de ter milhares de opções à disposição mesmo que não use nenhuma delas e fique em casa nas noites de sexta-feira. É bom comprar um livro pela internet e ele chegar rápido, sem ter que pagar aquele absurdo de frete, é bom poder ir a um shopping, assistir a um filme no cinema e encerrar a noite comendo fast-food. Isso eu fazia uma vez ao ano quando vinha do Maranhão a São Paulo visitar minha avó.

Eu me sentia bem limitada no interior. Fiquei com aquele pensamento de "aqui não tem nada" por doze anos e apenas ao me mudar para a cidade grande que fui perceber como o som dos grilos à noite é mais gostoso que o de uma rua movimentada. Que não há nada como o silêncio do lar que você viu ser erguido tijolo a tijolo e que nem aproveita os benefícios da cidade grande tanto assim.
Me arrependo de não ter valorizado mais o meu mato, as estrelas que valem mais que qualquer cinema e as frutas no pé que são muito melhores que as da feira.

Que fique claro, eu amo morar em Jundiaí. Mas as pequenas cidades em que já morei também tinham suas vantagens nas coisas simples que a natureza oferece e que não valorizamos nesse mundo consumista em que vivemos.

E que saudades de pisar descalça na grama...

2 comentários:

  1. Nossa, que tristeza que me deu esse seu desabafo!
    Eu meio que entendo algumas dessas coisas. Sinto a maior falta da antiga casa dos meus pais. A rua onde morávamos tinha MUITA área verde, em espaços abertos fora das casas, sabe? Dava pra correr e brincar muito! A vizinha da frente tinha um pé de manga do tipo coquinho, que dava as mangas mais gostosas do mundo! Ela deixava todo mundo pegar quanta manga quisesse, e o pé ficava cheio de periquitos e passarinhos que apareciam pra comer! Pulei tanta amarelinha na sombra desse pé de manga! Eu e meus irmãos andávamos muito de bicicleta na nossa rua mesmo, dava até pra apostar corrida! A gente brincava com outras crianças da rua, era super seguro e ninguém tinha medo de deixar os filhos fora da casa o dia todo. No dia de Cosme e Damião, nós corríamos por toda a quadra pedindo doce! Outra lembrança muito forte que tenho é da coceira que dava nas pernas na hora de tomar banho depois de ter passado o dia inteiro correndo no mato! kkkkk
    Hoje em dia, aqui em Goiânia, eu moro numa vizinhança bem pobre e violenta. Tem bastante verde, mas só nos lotes vazios onde o mato cresce sem controle, diferente dos jardins da rua onde eu morava. Pouca gente deixa as crianças brincando do lado de fora, porque é perigoso. Os vizinhos são todos mal-educados e eu não sei nem o nome da maioria deles... Ao contrário do que fazíamos na nossa vizinhança antiga, de viajar e deixar a chave com alguém pra olhar a casa e colocar comida pros bichos, aqui nós nunca confiaríamos em nenhum deles pra fazer isso. Muito menos avisaríamos que viajamos!
    Infelizmente, eu sei que tudo isso vai ficar só na lembrança. Mesmo que eu pudesse voltar, nada seria igual, até porque eu cresci, o tempo passou, as coisas e as pessoas mudaram. Mas é doloroso, né, pensar que perdemos tanta coisa boa...

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    1. Nossa, que triste também... Acho que não tem coisa melhor para criança que brincar no mato... Eu também brincava na rua no Maranhão, e no Ceará gostava de brincar na pracinha em frente a minha casa, numa pista de skate que tinha lá. Triste saber que não vai voltar, triste saber que a goiaba da minha casa não me dava alergia como a do mercado, mas a vida traz outras coisas boas para a gente... Nossa, mas deve ter sido horrível mudar para um bairro assim, é duro viver com medo...

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