20.2.17

A enfermagem e suas possibilidades

Olá pessoal, tudo bem? Hoje tenho o post de uma convidada mais do que especial aqui no blog. Ela com certeza é a visitante mais fiel e minha maior patrocinadora. Foi com ela que aprendi a amar a área da saúde, o que me influenciou a cursar medicina. Por isso, convidei minha mamãe querida para falar sobre a sua enorme experiência com a enfermagem. 


"Meu nome é Sueli e fui convidada pela Lívia para falar sobre minha profissão. 
Sou enfermeira desde 1987, uma época em que se tinha poucos profissionais no mercado, poucas faculdades e também muitas lutas e conquistas pelo espaço do profissional enfermeiro. Naquela época o curso era integral, com os 3 anos de graduação e o 4º era a escolha da 'habilitação' e só tínhamos as seguintes opções: Saúde Pública, Médico Cirúrgico e Obstetrícia. Terminando o curso você podia trabalhar em uma dentre essas áreas. Eu escolhi na época Saúde Pública por questões financeiras, porque o que eu queria mesmo era médico cirúrgico para trabalhar em hospital. 

Iniciei na carreira como enfermeira assistencial, em unidade de internação e depois Pronto Socorro. Logo veio a primeira promoção e passei para Enfermeira de Educação Continuada. Era novo: montar equipe, fazer o diagnóstico certo... para atuar foi um desafio, mas não parou por aí. Veio nova proposta para atuar como assistente da gerente de enfermagem. Foi fantástico, um aprendizado diário, claro que fui me preparando. Fiz Licenciatura, Administração Hospitalar, e fui ganhando espaço e respeito na profissão. 


Ainda na mesma empresa recebi o convite para ser Gerente de Recursos Humanos, numa época de muitas greves, os sindicatos lutando pelos direitos dos trabalhadores da saúde, e mais uma vez aceitei o desafio. Fui fazer especialização em Recursos Humanos, que se juntando a minha bagagem profissional e o bom relacionamento interpessoal, conquistamos mais um espaço. 
Eu que achava que só ia cuidar de pacientes me via cuidando de gente que cuida de gente, descobrindo suas necessidades para uma assistência melhor, mais próxima, humana, segura e acima de tudo com respeito. 
Depois de 13 anos nesta instituição crescendo, como pessoa, como profissional, e estudando sempre, fui para o Nordeste. 

Lá eu realmente encontrei o verdadeiro significado dessa profissão, que é deixar fluir a essência do ajudar, ensinar, cuidar, planejar e executar! 
Tive o privilégio de morar em dois estados do Nordeste, os quais me acolheram sempre muito bem, Ceará e Maranhão. 

No Ceará fui com a proposta de organizar um trabalho de enfermagem e me transformei numa educadora em todas as áreas, pois no ano 2000, a carência de profissionais ainda era grande nessa região. 

Então para que a assistência de enfermagem tivesse qualidade, e para que os pacientes se sentissem seguros naquela instituição, se estender em educação para todos; como ensinar o básico para a equipe da limpeza, incluindo a escrita e a leitura*; entrar na cozinha e ensinar os tipos de dieta, melhorar o atendimento da recepção e setores administrativos, reconhecendo os trabalhos, enfim, um trabalho até altas horas e o mais incrível é que todos compraram a ideia e transformamos num hospital para a região com atendimento seguro e de qualidade e com lucro, então passei a conhecer toda a estrutura financeira da empresa, mas sem perder o brilho da enfermagem.


Também no Ceará passei a ser professora da Universidade Regional do Cariri (Urca), através de concurso, ministrando aulas de administração hospitalar e também saúde pública, quando voltou à tona minha paixão pelo SUS. 

No sul do Maranhão, também como concursada municipal, inicio um trabalho totalmente diferente, mas também como enfermeira. A mobilização social eviscera o meu ser, e passo a viver o dia a dia dos que mais precisam. Não é só de uma consulta, ou um remédio, mas de um serviço de atendimento de qualidade, com gestão pública justa, e seus direitos e deveres esclarecidos. Passei a atuar em várias frentes na saúde pública, coordenando a Saúde da Mulher, Programa DST/AIDS, desenvolvendo projetos de apoio a crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, uma parceria com a Promotoria da Infância e Conselho Tutelar; projeto de educação e saúde nas escolas, acompanhamento de adolescentes grávidas portadoras ou não do vírus HIV. 


Foram sete anos de muito trabalho, mas também de um aprendizado para a vida inteira. 

Finalizando, digo a vocês que querem cursar a enfermagem: é muito lindo, não tem glamour, poucos reconhecem, mas você pode fazer a diferença na vida de muita gente. 
Lute, estude, avance e seu espaço será conquistado. Eu não me arrependo de ter escolhido ser enfermeira, e atualmente tenho um trabalho maus tranquilo, mas não menos instigante e apaixonante. Atuo como auditora de enfermagem.
As opções são muitas, basta você apostar."

*Naquela cidade pequena do interior do Ceará a taxa de analfabetismo em adultos era muito alta, principalmente entre a população mais humilde. 


Espero que vocês tenham gostado deste post e deste relato da "Forrest Gump da enfermagem." Eu lhes garanto que toda essa história é verídica e até hoje me lembro das transparências que minha mãe usava para dar aulas e das palestras que ela já fez na minha escola. 
Quem tiver interesse em aparecer por aqui com o seu relato sobre curso (pode ser superior, técnico, tecnólogo) ou profissão (sem distinção hein!) é só mandar o seu texto com as fotos que gostaria de anexar para o e-mail checkinvirtual@gmail.com com o assunto PROFISSÕES que irei postar aqui para ajudar os leitores indecisos a escolherem uma vocação. Essa coluna é de vocês para vocês, hein! 

3 comentários:

  1. Que interessante, Lívia! E que fofa a sua mãe por ter ajudado! Eu acho que nunca tive muita noção do que é enfermagem. Deu pra ver que sua mãe é uma profissional muito dedicada e cheia de força de vontade (afinal, pelo que pareceu ela prestou concurso várias vezes com as mudanças de Estado). Essa coluna sobre profissões é uma das coisas que eu mais to gostando nessa nossa fase do CV. Continue postando, porque sei que deve estar ajudando muita gente. Da minha parte, digo que está matando uma curiosidade que eu nem sabia que tinha!

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    1. Que bom que está gostando, Leth! Fico feliz quando as novidades agradam os leitores, principalmente os assíduos como você! Sim, ela é muito dedicada, e adorou contribuir. Ela adora contar a história dela hahahaha

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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Ilustração por Wokumy • Layout por