30.8.16

Minha infância entre livros



Eu cresci lendo. Na verdade, sou uma leitora desde que me entendo por gente. Meus pais sempre foram leitores e me estimularam a também o ser. Lembro de passar a minha infância sentada no chão literalmente rodeada de livrinhos infantis de contos de fada. Todos os anos minha escola recebia feira de livros e minha mãe me deixava escolher. Eu adorava aquelas maletas gigantes cheias de adaptações de contos bíblicos, de histórias clássicas e até mesmo dos já citados contos de fadas.

Na minha casa tínhamos um "quarto de estudos", um escritório com escrivaninhas e estantes moduladas em gesso. Nesse quarto as paredes eram livres para serem riscadas e recobertas por desenhos. De vez em quando minha mãe organizava essas prateleiras e eu "ajudava".
Em uma dessas arrumações, eu tinha por volta de 6 anos de idade, encontrei um livro que havia ganhado no final de ano interior do padrinho da minha irmã. Tratava-se de uma biografia de Monteiro Lobato, voltada ao público infantil. Na mesma hora encostei-me em uma almofada e o li inteirinho enquanto minha mãe colocava os pesados livros do meu pai no lugar. Lembro de sua cara de espanto ao constatar que em poucas horas eu já havia terminado um livro "deste tamanho", que era relativamente grande, considerando a minha idade. Foi nesse momento que eu me tornei leitora.

Desde então, eu lia todos os livros solicitados pela escola logo ao comprá-los e queria mais que tudo terminar as atividades de classe só para ficar na "biblioteca" da minha escola, que não se passava de um quartinho pouco iluminado com alguns livros. 

Naquela época, um livro de 40 páginas era um calhamaço para mim. Mas eu me desafiava a todos os dias ler uma parte do livro, e a cada dia pegar um livro maior. Foi assim que conheci Maria Heloísa Penteado. Li todos os livros dela que haviam na minha escola. Infelizmente, não comprei nenhum exemplar.Gostava também de Ana Maria Machado e de Ruth Rocha.

Eu tenho transtorno do défcit de atenção e hiperatividade, conhecida como TDAH. Pessoas como eu têm dificuldade imensa para se concentrar e para ficar parada. Sempre "tive formiga", não parava quieta um segundo e gostava muito de brincadeiras mais ativas no quintal de casa, com minha irmã. Contudo, todo hiperativo tem um hiperfoco, ou seja, alguma atividade que lhe desperta tanto interesse que a pessoa pode se concentrar nela por horas e não ouvir um ruído externo sequer. E encontrei aí a explicação para amar tanto a leitura: é assim que entro em hiperfoco. Mesmo sem saber, enquanto criança, que tinha TDAH já percebia de alguma forma que era assim que minha atenção aparecia. Então cultivei, e continuo cultivando esse hábito até hoje. É um prazer inexplicável encontrar seu hiperfoco, pois sei que é terrível a sensação de precisar se concentrar e simplesmente não conseguir. 

Quero saber como vocês se descobriram leitores. Me contem nos comentários!

Também quero anunciar que a grande vencedora foi a Maria Eduarda, que escolheu receber Fugitivos, e as meninas que levarão pra casa os marcadores da Judie Castilho são a Ana Carolina, a Helena Machado e a Lethycia Dias. Parabéns, sortudas!!

Ah, estarei na Bienal de São Paulo novamente no sábado, distribuindo marcadores por lá. Para não perderem nadinha, me sigam no Instagram (@checkinvirtual), Twitter (@checkinvirtual), Facebook e Snapchat (checkinvirtual) que atualizarei vocês sobre o evento.
Beijos a todos!!

8 comentários:

  1. Olá Lívia :)
    Que post super legal e interessante! Eu lembro que comecei a ler quando criança por conta da escola e da feira de livros que também tive o prazer de conhecer. Assim como você passei a pegar livros na biblioteca da escola. Foram bons anos assim. Na adolescência deixei esse hobby esquecido, mas ao visitar um dia uma amiga e ver sua linda estante lotada (isso foi a 3 anos) resolvi voltar a ler, e não me arrependo! Já estou chegando aos 100 livros adquiridos, e 80% lidos!!! :) Não sabia de detalhe sobre o hiperfoco! Fico feliz que a leitura seja assim tão importante pra você... beijos

    www.blogleituravirtual.com/

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    1. Nossa, na minha adolescência foi o período que mais li!!! Que bom que conseguiu retomar seu prazer pela leitura. E caramba, quantos livros!! 80% deles lidos é maravilhoso!!
      Beijos!

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  2. Oi, Lívia! Que legal saber da tua história como leitora. Eu já fiz um post assim lá no blog, na verdade foi um texto que produzi para o curso de Letras e decidi postar no blog.
    Muito interessante que o teu transtorno tenha te trazido esse benefício de se focar na leitura, eu não sabia que você tinha TDAH!

    E sobre o sorteio: UHUUUUUU! Que legal, muito obrigada pela oportunidade. Muito sucesso com o Check-in <3

    Beijinhos, Hel - leiturasegatices.blogspot.com.br

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    1. Eu já li esse seu texto seu e amei. Mas confesso que nem me lembrei disso ao escrever aqui. Pois é, eu tenho sim, mas só descobri aos 14 anos lendo Percy Jackson, aí eu perguntei para minha mãe e ela disse que eu tinha TDAH kkkkkkkk parabéns pela sorte e é claro que você sempre terá um espaço aqui, nem que seja para participar de sorteios. Mas caso queira, fique à vontade para compartilhar seu talento de escrita no meu humilde blog!
      Beijos!!

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  3. Adorei o post.♥
    Te seguindo como Art of life and books, segue o meu blog, tem muita coisa boa.
    Art of life and books

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    1. Que bom que gostou, seja bem vinda a bordo!

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  4. Nossa, que post maravilhoso! Me senti transportada para a "biblioteca" da sua casa enquanto lia, e fiquei imaginando toda a cena que você descreveu... De certa forma, algumas coisas foram parecidas para mim. Os primeiros livros que tive foram justamente daquelas coleções adaptadas, e eu além de ler todas as histórias várias vezes, ainda tentava desenhar as princesas! Não preciso nem dizer que não dava conta, porque não tenho talento nenhum para desenho... Meus pais dizem que gosto de ler desde sempre. Mas minha memória de ter me tornado uma leitora constante é por volta dos 10 ou 11 anos. Antes disso, talvez eu tenha lido um ou outro livro de vez em quando.
    Adorei saber todas essas coisas sobre você! Eu não sabia que pessoas com TDAH têm esse hiperfoco, não imaginava mesmo, e é muito interessante pensar que com você é a leitura, porque quando ouvimos falar disso na escola, o que aprendemos é justamente que alunos com TDAH têm dificuldade nos estudos. Pelo menos, é o que eu sempre ouvi falar.
    Adorei o post! Mas tem alguma coisa errada com as imagens que você colocou? Para mim, elas não estão abrindo.

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    1. Você está vendo pelo celular? No meu elas também não abriram, mas no computador aparecem normalmente... Que estranho... Eu também tentava desenhar, mas o máximo que saía eram aquelas bonequinhas de palitinhos, sabe? hahhahaha Então, geralmente os TDAH não são muito chegados à estudo e leitura, e felizmente nunca tive problemas na escola apesar de não conseguir prestar muita atenção às aulas. Mas sei lá, eu gosto de ler e é assim que atinjo meu máximo de concentração. Essas adaptações são realmente muito boas para formar leitores!

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Ilustração por Wokumy • Layout por