28.2.16

Resenha: Toda luz que não podemos ver



Título: Toda luz que não podemos ver
Autor: Anthony Doerr
Tradutora: Maria Carmelita Dias
Editora: Intrínseca
Ano:2015
Edição:
ISBN: 978-85-8057-697-9
Formato: Paperback
Número de páginas: 528


Toda luz que não podemos ver conta, concomitantemente, a história de Marie-Laure, uma garota francesa e de Werner Pfennig, um garoto alemão. As duas crianças têm vidas completamente diferentes: Enquanto Marie-Laure é cercada pelos cuidados do pai, Werner vive em um orfanato com sua irmã Jutta. Mas desde o começo sabemos que um dia eles se encontrarão.
Marie-Laure ficou cega aos 6 anos de idade e seu pai faz de tudo para que ela possa se virar. Construiu uma maquete em escala do bairro em que vivem para que ela possa se deslocar entre sua casa e o Museu de História Natural, no qual o seu pai trabalha como chaveiro. Porém logo a Segunda Guerra Mundial inicia-se e os alemães invadem a França. Marie e seu pai fogem para a cidade-fortaleza de Saint Malo e vão viver na casa de Etienne, tio-avô da menina. 
Werner mora em Zollverein, um complexo de mineração próximo à Essen. Ele vive em um orfanato emque uma mulher francesa, a Frau Elena, faz tudo o que pode pelos órfãos. O garoto tem um talento incrível com rádios e pode consertar praticamente qualquer aparelho. Sonha em ser um engenheiro. Acaba sendo aprovado em uma escola militar em Berlim que poderá realizar o seu sonho. 
Além dessas duas histórias, há uma parte um pouco mais mística no livro. É a lenda de um diamante muito valioso que carrega uma maldição terrível. Supostamente a gema estaria no museu em que o pai de Marie trabalha. 
O livro mostra de uma maneira muito sensível as consequências da guerra para pessoas ricas e pobres. Mostra como ela afeta os arianos e os franceses.
O livro também não segue uma ordem cronológica. Ele inicia com o bombardeio a Saint-Malo e em capítulos distintos mostra o ponto de vista de Werner e Marie. Logo após o livro volta ao passado para mostrar a infância de Marie e Werner e vai se adiantando no tempo até que abre uma nova parte falando da situação do bombardeio. Durante o livro todo esses tempos são intercalados e fica claro para o leitor que em algum momento os diversos focos narrativos se encontrarão.
Apesar de mostrar o ponto de vista de alguns personagens a narrativa é feita em terceira pessoa com narrador onisciente.
Eu não devorei o livro, mas creio que ele não precise ser devorado. Há um pouco de suspense sim, mas pelo fato da narrativa não ser linear, a história parece ficar mais gostosa se apreciada aos poucos. É um livro denso, cheio de informações e acontecimentos, porém chega até a ser cotidiano em algumas partes. Ele vai narrando o dia-a-dia dos personagens e o passar dos anos tornando algumas situações bem simples em fatos interessantes. Em momento algum achei a leitura tediosa, mesmo tendo demorado bastante para ler (nas férias).
Eu gostei bastante de como a história se desenrolou e da construção dos personagens. Uma das minhas preferidas é Madame Manec, a empregada de Etienne que cuidou de Marie como uma filha e ainda liderou movimentos de resistência. Gostei muito da Jutta também, uma personagem que merecia mais espaço na obra devido a sua força e caráter. 
A capa é maravilhosa, a diagramação impecável e foi impresso no papel Pólen 70g/m² (portanto, tem nossas queridas páginas amareladas). O trabalho da editora foi muito bom também na questão do marketing, pois o livro virou um best-seller e não tem as características comuns aos livros que costumam vender muito. Inclusive o autor se surpreendeu com o sucesso das vendas nos EUA. ( Toda luz que não podemos ver ganhou o prêmio Pulitzer de 2015.
Já vou deixar avisado aqui que é uma história triste e que eventualmente poderá arrancar várias lágrimas de leitores mais sensíveis. 
Com certeza um livro como este merece os 5 aviõezinhos. 



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14 comentários:

  1. Oi, Lívia. Amei sua resenha, deu para perceber que é um bom livro!
    Adoro narrativas que se passam em períodos históricos como guerras, e o fato de você ter dito que o autor se surpreendeu com as vendas, também pensei o mesmo, embora não tenha lido, reconheço que não é o tipo de livro que costuma fazer sucesso com a grande massa de leitores, como as distopias e romances jovens. Deve ter sido o trabalho do pessoal do marketing mesmo!

    Eu tenho uma lista enorme de livros para ler, mas tenho vontade de ler esse sim, quem sabe um dia acho uma brechinha! Não sei porque, mas sempre que vejo ou ouço falar desse livro lembro de "A menina que roubava livros", rsrs.

    Adorei tua resenha, ficou muito clara!

    Beijos, Hel - Leituras & Gatices

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    1. Helena, ele de alguma forma lembra sim A Menina que roubava livros pelo contexto histórico, pela tristeza na história e pelo fato de a protagonista gostar muito de ler. Mas as semelhanças acabam aí. Eu sei como funciona isso de lista gigante de leitura, este mesmo eu abri uma brecha pois ganhei e nem esperava... Mas ele merece entrar para a lista de desejados sim. É um livro muito bom e muito diferente. Ao não ser com aqueles clássicos muito complexos tipo Machado de Assis (não sou da área, então acho complicado), costumo achar ruins os livros que demoro muito na leitura. Mas este não tem a complexidade machadiana(embora fale de assuntos extremamente técnicos às vezes) e eu demorei para ler, e gostei disso. Achei inovador.
      Obrigada pela visita! Beijos!

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  2. Que resenha linda, adorei, parabéns, Lívia! Quero muito ler esse livro.

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    1. Obrigada!! Leia sim, é maravilhoso!
      Obrigada pela visita, seja bem vinda a bordo!

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  3. Adoro livros que se passem durante a época da Segunda Guerra Mundial, seja ficção ou não, então indicações nesse estilo sempre são bem vindas, e muito bem vindas. Nesse contexto, acho que só li O Menino Do Pijama Listrado, porém minha lista está enooorme, incluindo biografias e etc. Gostei muito da resenha, já tinha ouvido falar desse livro, mas não tinha tido interesse em procurá-lo. Através da sua resenha descobri aspectos novos, detalhes que despertaram algo em mim. Vou colocar nos desejados!
    Beijos

    http://sonhandoatravesdepalavras.blogspot.com.br/

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    1. Thainá, sou suspeita para falar porque amei o livro!! Mas ele merece o topo da lista! Não li O Menino do Pijama Listrado, mas tenho muita vontade de ler, já que amei o filme. Que bom que se interessou!! Este foi um best seller que mereceu fica na lista dos mais vendidos!
      Obrigada pela visita, seja bem vinda a bordo!!

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  4. Amei sua resenha, ótima indicação de livro! Irei ler com certeza <3

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    1. Obrigada, Andreia!! Leia sim, não irá se arrepender! Seja bem vinda a bordo!

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  5. também amei esse livro!!!ótima resenha, adorei o blog :)

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    1. Obrigada!! Esse livro é incrível mesmo!!

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  6. Oi, Lívia! Estou fissurada por esse livro desde a Turnê Intrínseca do ano passado, e desde então, fiquei me segurando para não ler nenhuma resenha, porque não queria correr o risco de encontrar spoiler's. Como sei que as suas resenhas são de qualidade, tomei vergonha na cara e vim aqui ler. Agora tenho mais certeza de que vou amar esse livro quando ler! Parabéns pelo post! <3

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    1. HAHAHAHAJ obrigada pelo elogio! Mas ele vale a pena ser lido sim, muito bom!!! Eu também não quis ler muitas resenhas não, confesso que o livro me ganhou pela capa e titulo e as sinopses só aumentaram minha curiosidade! Enfim, quando ler vou querer saber o que achou!

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  7. Nossa, sua resenha me toucou. É impossível não lembrar de "A menina que roubava livros" e alguns livros do Boyne, como o "O menino do pijama listrado" e "Fique onde está e então corra". Esse tema da Guerra sempre me toca. É algo triste e há livros que parecem passar isso de uma maneira mais profunda e forte, parece ser o caso de "Toda luz que não podemos ver", além de ter essa pitada de mistério também.
    Amei o blog. Tô seguindo. bjos.
    Eu Sou Um Pouco De Cada Livro Que Li

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    1. Fico feliz que tenha gostado! Esse tema não tem como não tocar. É tão triste, mas parece que é da melancolia que se tira as melhores histórias. Este livro é exatamente assim. Fico feliz que tenha gostado do blog também.
      Bjs, seja bem vinda a bordo!

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Ilustração por Wokumy • Layout por