2.10.15

Resenha: A hora e a vez de Augusto Matraga

Título: A hora e a vez de Augusto Matraga
Autor: João Guimarães Rosa
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2012
Edição: 2ª edição
Número de páginas: 53
ISBN: 978.85.209.3213-1
Minha nota: 4/5
ATENÇÃO! Este texto pode conter spoilers! 

Augusto Matraga era um homem poderoso. Mandava e desmandava no vilarejo onde morava. E fazia isso porque podia. É uma realidade tão comum na literatura brasileira, e na nossa sociedade também, infelizmente. Vi no canal da Tatiana Feltrin, Tiny Little Things a resenha deste conto, e foi dali que tirei essa de justificar os atos dos personagens pelo seu poder. "Faz porque pode". Lembrei na hora das aulas de Literatura do cursinho, em que meu professor fazia o mesmo comentário a respeito do Brás Cubas no episódio da borboleta (já divaguei demais, igual ao próprio Brás ). Logo no início da história, Matraga arremata uma prostituta em um leilão de uma quermesse. Não porque fosse bonita, (ela era feia),  mas porque podia. O namorado da moça tentava arrematá-la, mas Matraga deu um lance muito maior. 
Augusto Matraga também não se importava com a família. Sua mulher vai embora de casa para viver com outro homem, e de quebra leva sua filha junto.Esse é só o começo de sua desgraça, pois seus jagunços também o abandonam, mantendo-se leal apenas o seu mensageiro. Em seguida, o nosso anti-herói cai em uma emboscada, é espancado e só se livra da morte quando se joga de um barranco, enganando seus agressores. 
E logo após a sua desgraça, sua fortuna aparece: Um casal muito pobre o acolhe e cuida dos seus ferimentos como pode. Eles rezam e até chamam um padre, que conversa com Augusto Matraga e avisa-lhe que sua hora irá chegar e que enquanto não chegava, devia ser uma pessoa de bem. A partir daí, podemos perceber que o protagonista passa a ser o "nada" que lhe era afirmado no início da narrativa:
Matraga não é Matraga, não é nada. 
Matraga passa da situação de poder que exercia para uma de dependência profunda e insignificância. Mas a sombra da morte que lhe pairou o faz mudar. Ele deixa de ser o homem mau que era e, ao recuperar-se, começa a trabalhar incansavelmente. Trabalha para o casal que lhe acolheu, para outras pessoas pobres... E sai pelo mundo assim. Ao meu ver, essa já foi a hora de Matraga, mas não é isso que a história nos traz. 
Este princípio de redenção faz Augusto Matraga ter tanta convicção de sua futura salvação que afirma que irá para o céu mesmo que à base do porrete. E esse porrete é sua determinação. É muito bonito ver esta transformação no personagem. Ele aprende a perdoar, a tolerar, e a calar-se. E é durante este período de redenção que lhe vem a maior tentação, a qual lhe encaminha para a sua hora e sua vez. 
O livro traz uma mensagem muito bonita sobre perdão, e e muito ligado na religiosidade. Além de tudo, há o estilo próprio de Guimarães Rosa de escrever, com seus neologismos, sua linguagem popular e poética e sua teimosia em acentuar onde lhe convém, desrespeitando a gramática. 
Confesso que achei a novela um pouquinho confusa em algumas partes, a linguagem de Rosa é confusa.Apesar de curtinha, ela tem letras miúdas, o que atrapalha muito uma pessoa míope como eu que teima em ler sem os óculos. A diagramação peca bastante, pois as páginas, apesar de amareladas, têm margens enormes e o texto lá, com aquelas letras pequenininhas no meio da página. E o livro não tem orelha, o que é explicável pela pequena quantidade de páginas. Mas mesmo assim, li rapidinho, coisa de duas horas mais ou menos.

 Esta novela foi extraída do livro de contos Sagarana, uma das mais famosas obras do autor. A editora Nova Fronteira publicou a novela  separadamente, e como eu só precisava dela (e estava baratinho no Submarino) comprei esta edição. Mas pretendo ler Sagarana completo algum dia. 

10 comentários:

  1. Uau, parece ser bem legal. Me deixou curiosa, vou procurar saber mais e adicionar na minha lista, haha. Beijos :*
    - http://apenasdoisminutos.wordpress.com

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    1. É bem legal sim! Você já conhece outras obras do Guimarães Rosa? Sempre vale a pena ler os livros dele!
      Obrigada pela visita, seja bem vinda a bordo!

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  2. Olá Lívia,
    Realmente esse manda e desmanda está vivo nos dias atuais, sempre tem o melhor que todos.
    Não sou muito chegada a livro contemporâneos, mas o livro em questão me deixou com um gostinho de quero mais. A resenha ficou bem instigante.

    Adorei sua visita em meu blog!
    Apareça mais vezes :*
    Beijos,
    Lendo no Inverno

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    1. Ah, eu não acho o Guimarães tão contemporâneo assim, embora seja mais recente que os outros clássicos. Leia sim o livro, é rapidinho e a história é bem interessante. Agradeço a visita ao blog, o comentário e o elogio à resenha! Seu blog já está na lista de leitura. Beijos, seja bem vinda a bordo!

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  3. Como eu amo Guimarães Rosa!!! =D
    a resenha ficou otima

    http://acidadeliteraria.blogspot.com.br/

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    1. Ele é sensacional, não é mesmo? Obrigada pelo carinho!
      Beijos, seja bem vinda a bordo!!

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  4. Vou procurar mais sobre ele, me interessei!
    Parabéns pelo post!

    Sankas Books

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    1. Obrigada! Procure sim! Obrigada pela visita!
      Beijos, seja bem vinda a bordo!

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  5. Adorei a resenha, parabéns!

    Beijokas da Quel ¬¬
    http://literaleitura2013.blogspot.com.br

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    1. Muito obrigada, Raquel!! Beijos, volte sempre!

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